Bate-papo exclusivo com o maestro e pianista

osmarbarutti

Esta semana tive o privilégio de entrevistar um dos grandes nomes do piano no Brasil, Osmar Barutti.

Nascido em São Caetano do Sul/SP, Osmar Barutti iniciou seus estudos musicais aos 6 anos, diplomando-se ao 14 anos de idade. Tornou-se pianista profissional ainda muito jovem e recebeu Bolsa de Estudo na famosa Berklee School of Music, em Boston/EUA, durante os três anos que lá estudou. No Brasil trabalhou com inúmeros grupos instrumentais assim como inúmeros artistas. Ficou nacionalmente conhecido por fazer parte do Sexteto do Programa do Jô (TV Globo).

Em um bate-papo exclusivo ao Portal Tecladistas o maestro fala sobre sua carreira, suas influências e ainda deixa algumas dicas. Confira!

 

1 – Maestro, como foi o seu primeiro contato com a música? E o piano?

Meus primeiros contatos com a Música aconteceram quando eu era ainda muito criança : por volta dos 4 ou 5 anos eu comecei ouvindo muitos discos que meu querido pai – Oswaldo de Lima Barutti – ouvia em casa . Acredite que até hoje eu me lembro da maravilhosa coleção de discos que ele possuía. Havia de tudo:
Música Brasileira: Luiz Gonzaga / Francisco Alves / Titulares do Ritmo / Isaurinha Garcia,
Música Clássica : Chopin / Beethoven / Bach e , claro, havia também muito Jazz. Um dos primeiros pianistas que eu ouvi em disco foi… George Shearing tocando Lullaby of Birdand!
Havia também um disco do sanfoneiro Mario Zan, com este disco eu aprendi “de ouvido” uma marcha e assim que eu ganhei meu primeiro instrumento, uma flauta, pude tocar esta música. Acho que este fato chamou muito a atenção dos meus pais, pois pouco tempo depois, quando eu tinha entre 6 e 7 anos, comecei a ter aulas particulares de Piano com a prof. Halle Bechara em São Caetano do Sul , minha cidade natal.

 

2 – Além de sua formação no Brasil, você também cursou a Berklee School of Music em Boston, EUA. Como foi estudar em uma das melhores escolas de música do mundo?

Depois de ter estudado por 7 anos com Zulmira Elias José, na Escola Magda Tagliaferro , fui para Boston e lá cursei e me graduei na Berklee School of Music. Lá, além dos professores maravilhosos, através dos quais novas portas do conhecimento se abriram para mim, ainda tive a grande oportunidade de tocar e trabalhar com músicos vindos de todas as partes do mundo .

 

3 – Quem são suas maiores referências na música?

Muitas são as minhas referências na Música. Acho que, na assim chamada, Música Clássica , admiro profundamente a genialidade de J. S. Bach e a maravilhosa obra que ele compôs. Mesmo os compositores que se seguiram a ele, eu sempre ouço com muito encantamento.
No Brasil eu sou um incansável ouvinte da obra musical do Antônio Carlos Jobim e também de Heitor Villa Lobos .No Jazz comecei ouvindo o George Schearing, logo depois Dave Brubeck e o disco Time Out . Quando ouvi Oscar Peterson e Art Tatum acho que fiquei maluco …. rsrsrs . Depois Chick Corea e McCoy Tyner acabaram me deixando mais louco ainda … Até hoje ..!!!!.

 

4 – De volta ao Brasil, você trabalhou com grandes artistas. Você pode citar alguns dos trabalhos que mais gostou de participar?

Como você sabe, eu gravei com a Claudya um disco muito bonito chamado “Pássaro Imigrante ” com composições dela e do Chico Medori , grande baterista.
Trabalhei com muitos cantores e cantoras em shows e na própria TV : Emílio Santiago, George Benson, Isaurinha Garcia, Milton Nascimento, João Bosco, entre outros.

 

5- E qual artista você não trabalhou mas gostaria muito?

Admiro e respeito tanta gente na música, tantos cantores e cantoras, tantos instrumentistas, tantos compositores, que fica bem difícil comentar. Mas por exemplo, a maravilhosa compositora Fátima Guedes, a cantora Rosa Passos, e muita gente que, se Deus quiser, haverei de tocar …

 

6 – É inevitável não falar de seu trabalho ao longo de todos estes anos no programa do Jô, atualmente em sua última temporada. Como você resumiria esta experiência?

Exatamente, iniciei no então “Jô Soares 11:30” no SBT – TVS – em 1992 e lá o programa foi até 1999.

Na TV GLOBO foi logo em seguida – do ano 2000 até o presente momento – em sua última temporada – Que pena !!.

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foto: divulgação/internet

7 – Além de grande pianista, você também é compositor. Como é o seu processo de composição?

Tenho muito prazer em poder compor também. Algumas vezes começo com a Harmonia, com alguma idéia sobre acordes, que naquele momento, seriam mais adequados, mais sonoros, enfim que mais me agradaria. E logo a seguir a Melodia, para qual ou para quais instrumentos esta melodia soaria mais interessante.

 

8 – Em 2013 você gravou algumas músicas com o seu trio no “Osmar Barutti Trio Sessions”, como: Angu do Bom e Ponte Aérea. Como surgiu este trabalho?

Você sabe bem, temos que estar sempre ensaiando, sempre “praticando” a nossa Arte: é isso que nos “alimenta”. Falo aqui do Alimento da Alma pois é exatamente assim que entendo esta nossa profissão .

9 – Qual ou quais discos você considera fundamentais a um pianista/tecladista conhecer?

Acho que, no Jazz e para os colegas das teclas, os discos gravados pelo genial Art Tatum até hoje são, de verdade, uma grande escola, uma grande aula de técnica e de musicalidade. Quando eu ouço Chick Corea em seus discos de Piano Solo eu sempre percebo a influência do Art Tatum nele também.
Nos arranjos para orquestra eu gosto muito do Claus Ogermann – falecido em Março deste ano (2016).

 

10 – Você também é uma referência no ensino musical. Como você vê a situação atual deste em nosso país?

Muito obrigado pelas palavras tão generosas. Com certeza, não as mereço!
De qualquer forma eu acho que temos excelentes exemplos de escolas de música maravilhosas no Brasil todo. Somente pra citar algumas: em Tatuí, no interior de São Paulo, uma escola que formou e continua formando milhares de músicos excelentes. Em São Paulo , eu tive a oportunidade de lecionar na antiga Universidade Livre de Música – U.L.M. – hoje Tom Jobim.
Temos alunos super talentosos e professores igualmente talentosos … A questão importante, me parece, é que os nossos políticos ainda não entenderam a real importância do ensino da música e mesmo das Artes para a formação do bom caráter dos indivíduos e de seu desenvolvimento afetivo/intelecto/ espiritual… Penso que deveríamos dar muita atenção a este importante aspecto da educação no País: a Música é, sem nenhuma dúvida, um dos aspectos mais importantes e, infelizmente, mais negligenciados no nosso Ensino , no nosso sistema educacional.

 

11 – Osmar, sem dúvida você é um dos maiores nomes do piano no Brasil. Inúmeros pianistas e tecladistas se inspiraram no seu talento e no seu trabalho. Que mensagem e quais conselhos você gostaria de deixar a eles?

Novamente vôce com sua gentileza e camaradagem. Muito obrigado, de verdade Tiago!
Eu diria: tivemos a sorte de ter nascido em um país maravilhoso chamado Brasil. A nossa música genuína é admirada por milhões de músicos e pelo público inteligente no mundo inteiro. Vale a pena lutarmos pela qualidade desta música.
Como conselho eu posso dizer: Vale muito a pena dedicar horas e horas do nosso dia aos nossos instrumentos musicais, que são as nossas “ferramentas de trabalho”.
Vivemos em uma época de grande facilidade para obtermos informação: a Internet nos coloca em contato com livros, métodos, e música de todos os géneros. Portanto , saibamos aproveitar isso tudo em favor da nossa Arte da Música.

Osmar Barutti
foto: divulgação/internet

 

 

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Tiago Mineiro

Tiago Mineiro

Conhecido por sua versatilidade, acompanha artistas como Tony Tornado, Edu Falaschi, Made in Brazil, Maria Christina entre outros. Já dividiu o palco com nomes como Seu Jorge, Thaíde, Lanny Gordin, Urs Wittwer (Suíça), Rene Calvin (Camarões) e Mind Priority (Bélgica). É endorsee: ASK suportes, Mac Cabos, Capcase e Meteoro. Comentários